A
pré-história da península itálica se caracteriza por invasões de povos do
norte. A distribuição desigual dessas vagas invasoras deu lugar a diferentes
culturas regionais. As civilizações de Molfetta, Stentinello e Remedello
apareceram no período neolítico; logo a seguir, a Itália entrou na
proto-história, com a civilização das terramaras, no segundo milênio a.C.,
entre a idade do bronze e a do ferro, e cujo nome deriva do tipo de povoamento
-- estações terrestres construídas sobre estacas, em zonas de lagos, com
plataformas e cabanas de madeira -- que se estabeleceu na planície norte e se
prolongou a sudeste, na costa oriental. Esses povos falavam dialetos
indo-europeus, cremavam os mortos, cultivavam a cevada e o trigo, trabalhavam o
metal e, ao que tudo indica, já conheciam o vinho.
A partir
de aproximadamente 1100 a.C., a introdução do ferro superou a cultura do
bronze, com o afluxo de uma nova onda de invasores: os vilanovianos (nome
derivado do sítio arqueológico de Vilanova, perto de Bolonha). Quando chegaram
à península, já encontraram uma população bem diversificada, formada por grupos
indo-europeus presentes desde o período calcolítico (lígures, enganos, elímios
e outros). Ao dominarem os vilanovianos, no século IX a.C., os etruscos fizeram
a Itália se abrir para novas formas de cultura. Exploraram os minerais da
Toscana e da ilha de Elba, criaram uma indústria de metais e tecidos, que
comercializaram na região do Mediterrâneo. No século VIII a.C., controlavam
rotas marítimas até o estreito de Messina. Nos séculos VII e VI a.C., dividiam
o controle do Tirreno com Cartago e Massília.
A partir
do século VIII a.C., os gregos começaram a colonizar o sul da península.
Fundaram Nápoles e Paestum (atual Pesto) e estabeleceram vários núcleos na
costa meridional e na jônica (Metaponto, Locros, Síbaris, Crotona, Reggio e
outros), que vieram a formar a chamada Magna Grécia. Logo começaram as guerras;
em 540 a.C., os etruscos aliaram-se aos cartagineses e derrotaram os gregos na
batalha de Alália. A influência grega, contudo, esteve presente do século VIII
ao século VI a.C., num vasto território que compreendia desde a Magna Grécia
até a Apúlia e o Piceno, devido às relações comerciais. A partir de 474 a.C., a
hegemonia etrusca limitou-se à planície padana (Bolonha etrusca). Com a revolta
da aristocracia latina no fim do século VI a.C., formou-se uma república
oligárquica e patrícia, que substituiu o regime monárquico dos etruscos.
Alicerçado no campo, onde viviam os poderosos, o estado romano do século V a.
C. representou um rompimento com as tradições etruscas em relação às atividades
urbanas e ao comércio por via marítima.
O Império
Romano só veio a consolidar-se completamente em 42 a.C., após enfrentar lutas
internas, dominar diversos povos (etruscos, volscos, latinos, samnitas) e
submeter os invasores. O sistema imperial alterou profundamente a organização
da Itália, com a diminuição dos poderes do Senado e a criação de diversos
cargos intermediários (prefeitos, cônsules e outros). Pouco a pouco, os
municípios perderam autonomia para prepostos dos governadores, que controlavam
as finanças e se encarregavam de cobrar altíssimos impostos.
Dentre as
invasões ocorridas no final do império, destacam-se a dos visigodos, comandados
por Alarico (c.370-410), e a dos hunos, sob o comando do célebre Átila (452),
que morreu antes de poder anexar os territórios que conquistara. No ano 476,
Rômulo Augústulo, último imperador romano do Ocidente, foi deposto por Odoacro,
rei dos hérulos. O governo passou para o Império Romano do Oriente; em
Constantinopla, o imperador Zenão reconheceu a autoridade de Odoacro, que
desejava governar como vice-rei da Itália e rei dos godos. Em 493, o chefe
ostrogodo Teodorico venceu Odoacro. A instalação do reino ostrogodo na Itália
não acarretou ruptura com a cultura romana. Teodorico preservou as antigas
instituições, sem violentar o sistema de vida do povo. Sua morte, contudo,
trouxe dificuldades para o reino, que caminhava para a estabilidade. O
imperador bizantino Justiniano enviou então Belisário para reconquistar a
Itália. Em 555, com a queda do último reduto gótico, a Itália caiu sob domínio
bizantino.
Os
lombardos, chefiados por Alboíno, invadiram a Itália em 568. Com o tempo,
assimilaram grande parte do que restava da civilização romana, inclusive o
idioma, principalmente em conseqüência da adoção do cristianismo, em meados do
século VII. A paz dos lombardos com Bizâncio foi celebrada em 680. A partir de
então, o equilíbrio da Itália passou a depender das relações do estado lombardo
com o papa. O rei lombardo Astolfo, que reinou de 749 a 756, enfrentou duas
expedições francas e teve de ceder terras ao papa. O acontecimento mais
significativo, porém, foi a criação de um estado pontifício independente de
Bizâncio e sob a proteção do rei franco. Pouco a pouco o papa foi substituindo
o poder do imperador na Itália não lombarda. O papa Estêvão II pedira auxílio a
Pepino o Breve, rei dos francos, a quem conferiu o título de patrício dos romanos,
em troca do exarcado de Ravena e do ducado de Roma. Com a morte de Astolfo,
Estêvão tentou obter os territórios mas Pepino o fez renunciar a tais
pretensões.
Novos
ataques dos lombardos levaram à intervenção dos francos, dessa vez sob Carlos
Magno. Coroado pelo papa Leão III, no ano 800, Carlos Magno criou o Sacro
Império Romano-Germânico, cuja estrutura político-religiosa dominou a Europa
até o Renascimento. O período que se seguiu a sua morte caracterizou-se pela
desagregação do poder carolíngio na Itália e pelos constantes ataques dos
sarracenos. Após conquistarem a Sicília, que ficou três séculos sob domínio
árabe, os muçulmanos estabeleceram-se na península. Roma foi parcialmente
saqueada no ano 846. Consolidaram-se, no entanto, os estados pontifícios no
centro da Itália. No norte, estabeleceu-se um sistema feudal semelhante ao da
Europa central.
A partir
do início do século XI, as freqüentes tensões entre o papado e o imperador em
torno de questões do poder temporal, debilitaram o sistema feudal em todo o
território italiano. Por essa época várias cidades tinham-se tornado prósperas
devido ao comércio com o Oriente. O movimento comunal, que ganhou força a
partir de 1080 no norte e centro da península, marcou durante muitos séculos a
vida política da Itália. Veneza se transformou numa poderosa república, que
comerciava com Constantinopla e o Mediterrâneo oriental; Amalfi, uma das
principais cidades comerciais do Mediterrâneo, conseguiu eliminar os piratas do
mar Tirreno; Gênova e Pisa se revelaram como potências marítimas. A partir do
século XI, as comunas transformaram-se em cidades-estados; a assembléia-geral
deu lugar a um conselho e à magistratura dos cônsules (proprietários de terras
e comerciantes ricos). A cidade-estado absorveu as cidadelas rurais e as
pequenas propriedades.
Interessados
em manter a independência da igreja frente ao poder temporal, os papas entraram
freqüentemente em choque com o imperador, devido às intromissões nas eleições
papais e na nomeação dos bispos. Tomou corpo assim a questão das investiduras,
que só se resolveu em 1122, com a concordata de Worms. A partir de 1155, a
monarquia centralizada da família Hohenstaufen dominou o reino da Itália.
Frederico I Barba-Roxa tornou-se imperador e reclamou para si os direitos reais
usurpados pelas comunas, bispos e nobres. A resistência de Milão foi esmagada
em 1162 e o papa Alexandre III aliou-se às cidades antiimperiais. Logo depois
formaram-se as ligas veronesa (1164) e lombarda (1167). Após muitas lutas e
revoltas, fez-se a paz com o papa em 1177. O filho e herdeiro de Frederico,
Henrique VI, casou-se com a herdeira da Sicília, Constança, e conquistou o
reino normando em 1194. Após sua morte, Constança renunciou em favor do filho
menor, Frederico, coroado em 1212, após a morte do rei alemão Oto IV, que fora
sagrado imperador em 1209. Ao contrário do que prometera ao papa, Frederico II
não separou o reino da Sicília do império, e por isso foi excomungado e
enfrentou a oposição da igreja até sua morte em 1250; em 1263, o papa Clemente
IV investiu o francês Carlos de Anjou na Sicília e marcou o fim do período
Hohenstaufen.
O período
em que a Itália esteve submetida aos franceses foi marcado por muitas lutas e
pela oposição a Carlos de Anjou, e culminou com uma série de rebeliões e
conflitos sociais no sul da península. A derrota final de Carlos de Anjou
deu-se em Messina, e cresceu um movimento comprometido com as classes
populares. Por essa época, os papas normalmente pertenciam a poderosas famílias
italianas, que assim consolidavam seu poder.
Com a
Itália sob a intervenção dos Valois, a ingerência dos papas nos assuntos
franceses deu margem a conflitos com Filipe IV, o que levou à desintegração do
poder papal na península; em 1303, os papas trocaram Roma por Avignon, na
França. O poderoso Amadeu VI, conde de Savóia, restabeleceu a autoridade papal
e em 1357, o papa retornou a Roma.
Em 1455, foi formada a Liga Italiana, ratificada pelo papa Nicolau V e que se
tornou garantia para os estados menores. Livre de grandes guerras, a Itália
gozou um período de prosperidade, em que todas as artes floresceram e os vários
estados se aproximaram, em nome de interesses comuns. As instituições
políticas, de caráter despótico, procuraram exercer autoridade direta sobre os
estados da igreja. Por volta de 1490, a península experimentou o período de
maior prosperidade, que marcou a fase mais brilhante da história italiana, o
Renascimento.
Por volta
de 1500, começou novo período de lutas internas e renovadas intervenções
estrangeiras: com Carlos VIII, herdeiro da casa de Anjou, e Luís XII da França,
estabeleceu-se novo domínio dos franceses, expulsos em 1504. Em 1508 o papa
Júlio II formou a Liga de Cambrai e pôs fim ao domínio territorial de Veneza.
Em 1512 os suíços, membros da Santa Liga criada pelo papa, ocuparam a Lombardia
e expulsaram os últimos franceses. No mesmo ano, a Liga restaurou o poder dos
Medici em Florença. Os franceses voltaram à carga em 1515, quando Francisco I
reconquistou o ducado de Milão, mas Carlos da Áustria, que já dominava os reinos
espanhóis, foi coroado imperador do Sacro Império em 1519. Em 1530, após
conquistar Milão e saquear Roma, tornou-se senhor da Itália.
Durante a
supremacia espanhola, o reino italiano entrou em crescente declínio econômico.
A guerra intermitente com a França recrudesceu. Carlos V entregou a Itália ao
filho, o futuro Filipe II da Espanha, e transferiu todos os direitos imperiais
sobre o território para aquele país. Em 1542, a Inquisição foi estabelecida em
Roma e sufocou qualquer oposição política aos papas. Os estados ainda lutavam
por manter seus privilégios. Contudo, a Itália sofreu os efeitos econômicos da
descoberta do Novo Mundo, e perdeu a supremacia financeira e naval.
Entre
1713 e 1748 estabeleceu-se o domínio austríaco, marcado pelos conflitos entre Habsburgos
e Bourbons. No período entre 1748 e 1792, os principais governantes da Itália
procuraram remediar a miséria da população, a riqueza excessiva do clero e os
abusos do privilégio senhorial. A expulsão dos jesuítas de Nápoles (1767) e o
fim do tributo anual ao papa simbolizaram a emancipação dos governantes
seculares em relação ao papado. As obras de intelectuais e cientistas e a
popularidade da maçonaria indicaram nova fermentação política na Itália, às
vésperas da revolução francesa.
O
Diretório, que governava a França após a revolução, escolheu Napoleão Bonaparte
para comandar as forças da Itália. Este, em rápida campanha, derrotou as forças
piemontesas e conquistou Parma, Módena, Milão e Nápoles; logo depois, invadiu
os territórios papais em Bolonha e Ferrara. Em meio a rebeliões, Napoleão
reorganizou a península e criou as repúblicas Cisalpina (ao norte), Cispadana
(Reggio nell' Emilia, Módena e Bolonha) e Partenopéia (Nápoles). Por um breve
período, exércitos austro-russos derrotaram os franceses e derrubaram as
repúblicas, novamente restauradas por Napoleão a partir de 1800.
Em maio
de 1804, após a proclamação do primeiro império francês, Napoleão foi coroado
rei em Milão e anexou Parma ao império. Ameaçadas de perderem a independência,
as principais cidades tentaram juntar-se a uma coalizão anglo-austro-russa, mas
depois de várias derrotas foram forçadas a reconhecer a presença de Napoleão, a
entrega da Veneza austríaca ao rei da Itália e a ocupação da Ístria e da
Dalmácia. Em 1808, após divergências com o papado, Napoleão ocupou Roma e
proclamou o fim do poder temporal do papa. Roma foi anexada ao império como sua
segunda cidade. Logo em seguida, reformas políticas instituíram o código
napoleônico, um sistema comum de administração, rudimentos de educação pública
e serviço militar obrigatório.
A partir
da batalha de Leipzig, em 1813, começou a invasão austríaca, com a ajuda de
grupos patrióticos que acreditavam na independência após a derrota dos
franceses. Os austríacos ocuparam a Lombardia mas não entregaram o poder aos
patriotas, mais uma vez desiludidos. Com a restauração, os estados que haviam
formado o reino da Itália foram tomados pela agitação revolucionária,
organizada em sociedades secretas, como os carbonários e os federados. Movimentos
revolucionários em Nápoles e Palermo (1820) e no Piemonte (1821) foram
sufocados pelos austríacos. A influência da sociedade Jovem Itália, fundada em
1831 por Giuseppe Mazzini, espalhou-se rapidamente: propunha uma insurreição
nacional que unificasse a Itália como república, mas o programa fracassou. Com
a eleição do papa Pio IX, em 1846, começou a crise do Risorgimento. O novo papa
aprovou reformas liberais que ameaçaram os austríacos e deram exemplo para
outros estados. Logo a Toscana, a Sardenha e o Piemonte fizeram concessões
democráticas, como a liberdade de imprensa.
O surto
de liberalismo encorajou a revolução na Sicília, que em 1848 se proclamou
independente da monarquia Bourbon. Logo depois, os soberanos da Toscana e do
Piemonte outorgaram constituições a seus estados. Milão se rebelou e expulsou o
exército austríaco; outra revolução, em Veneza, restaurou a república. Carlos
Alberto, rei do Piemonte, acuou os austríacos e lhes declarou guerra.
A
situação ficou fora de controle. Carlos Alberto abdicou em 1849, e seu
sucessor, Vítor Emanuel II, apressou-se em firmar a paz. A Itália ficou à
disposição dos austríacos. O exército popular de Giuseppe Garibaldi resistiu
por algum tempo às forças francesas enviadas para restaurar o poder papal em
Roma, mas a cidade foi logo tomada. O levante na Sicília foi esmagado e Veneza
também capitulou. Ainda em 1849, um tratado de paz entre Áustria e Piemonte
completou a pacificação.
Em 1850
tornou-se primeiro-ministro do Piemonte Camillo Benso di Cavour, cuja carreira política
confundiu-se com a marcha para a unificação da Itália. O Piemonte era o único
estado italiano a possuir constituição liberal, e com habilidade política,
Cavour conseguiu o apoio francês no secreto Tratado de Plombières e, em abril
de 1859, forçou uma aliança franco-piemontesa contra a Áustria. Após as
derrotas de Magenta e Solferino, a Áustria assinou a paz em Villafranca e cedeu
a Lombardia, com exceção de Mântua e Peschiera, à França, que se comprometeu a
repassar o território ao Piemonte. A Toscana, a Emilia-Romagna e os ducados de
Parma e Modena somaram-se voluntariamente ao novo reino. Enquanto isso,
Garibaldi invadia a Sicília à frente de um grupo de voluntários e expulsava de
Nápoles o rei Francisco II. Alarmado com o êxito do caudilho, Cavour ocupou as
Marcas e a Úmbria e convenceu Napoleão III a fazer apenas um protesto formal.
Concordou que Roma e o Lácio continuariam sob o poder papal, enquanto o
restante da Itália tornava-se um reino constitucional. Sem poder contar com o
apoio popular, Garibaldi foi forçado a entregar Nápoles e a Sicília ao rei
piemontês, a quem reconheceu como o novo monarca da Itália.
A maior
parte da Lombardia passou para o Piemonte. Depois de um breve afastamento da
chefia do governo, em 1860 Cavour ofereceu Nice e a Savóia à França em troca da
unificação das províncias do norte e assegurou por plebiscito a união das
províncias do centro e sul (exceto Roma e a Sicília) ao Piemonte. Em 17 de
março de 1861, o Parlamento reunido em Turim proclamou formalmente o reino da Itália.
A anexação de Veneza, em 1866, e de Roma, em 1870, completaram a unificação
italiana. A Lei de Garantias (1871) assegurou ao papa completa liberdade
eclesiástica.
De 1870 a
1914, os sucessivos governos trataram de implantar um programa de modernização
econômica, administrativa e militar. Para equilibrar a situação financeira, o
ministério formado em 1869 por Giovanni Lanza e Quintino Sella tratou de
diminuir os gastos públicos e aumentar os impostos. Com a queda de Sella em
1873, assumiu a chefia do governo Marco Minghetti, que buscou combater a
inflação. A ele seguiu-se Agostino Depretis, líder esquerdista do Risorgimento,
que dominou a vida política italiana de 1876 até 1887. Hábil negociador,
conseguiu realizar um governo estável apesar dos antagonismos, graças à
política do "transformismo", que visava incluir nas minorias
parlamentares e no gabinete elementos de extrema esquerda e extrema direita.
Precavendo-se contra a possibilidade de um ataque da França, Depretis assinou a
Tríplice Aliança, que uniu Itália, Alemanha e Áustria-Hungria, mas o fracasso
da expedição colonizadora à Etiópia em 1887, na qual morreram 500 soldados
italianos, determinou sua renúncia.
Depretis
foi sucedido por Francesco Crispi, cujo governo inaugurou uma nova fase na
política italiana, caracterizada por uma linha autoritária no plano interno e
por uma ideologia expansionista que se expressou pelo estabelecimento de
protetorados na África, por uma crescente hostilidade à França e por uma
progressiva aproximação com a Alemanha. Foi substituído por Antonio di Rudinì,
que renovou por mais 12 anos a Tríplice Aliança.
Ao
gabinete Rudinì sucedeu o do ex-ministro das Finanças de Crispi, Giovanni
Giolitti, que adotou uma linha mais progressista e dominou a cena política do
início do século XX até a primeira guerra mundial. Continuou as reformas
internas, deu certa liberdade aos incipientes movimentos operários, criou uma
avançada legislação social e protegeu a indústria do norte. Com algumas
concessões, obteve apoio dos grupos católicos, e em 1913 instaurou o sufrágio
universal. Foi sucedido por Antonio Salandra, político de direita, após
demissão forçada.
A Itália proclamou-se neutra na primeira guerra mundial, mas depois se uniu aos
aliados pelo Tratado de Londres, por interesse em terras do império
austro-húngaro. Derrotados em Caporetto em 1917, os italianos resistiram e
obtiveram ampla vitória em Vittorio Veneto (1918), mas os resultados foram
decepcionantes: a conferência de Paris só concedeu à Itália uma parte dos
territórios prometidos (o Trentino-Alto Adige). A intranqüilidade social se
instalou, e as eleições de 1919 deram a vitória aos democrata-cristãos. Apesar
de majoritários, os socialistas se recusaram a participar do governo e apoiaram
uma série de greves, com ocupação de fábricas. Em 1920, a Itália celebrou com a
Iugoslávia o Tratado de Rapallo, pelo qual ganhou quase toda a Dalmácia; ainda
assim, a opinião pública não se satisfez. A burguesia, preocupada com o avanço
do movimento operário, começou a apoiar maciçamente o movimento fascista, cujo
líder, Benito Mussolini, encabeçou em 1922 uma marcha contra Roma, com o
objetivo de tomar o poder. O rei Vítor Emanuel III, que sucedera ao pai,
Humberto I, em 1900, depois de seu assassínio por um anarquista, convidou
Mussolini a formar novo ministério.
Em 1924,
com práticas duvidosas, Mussolini revalidou o poder nas urnas. A oposição
questionou os resultados; o deputado socialista Giacomo Matteotti denunciou no
Parlamento a violência fascista e pouco depois foi assassinado. Logo no início
de 1925, o governo fascista modificou totalmente a estrutura e o funcionamento
dos órgãos do estado. Todo o poder ficou concentrado nas mãos de Mussolini, que
só nominalmente era responsável perante o rei. A Câmara dos Deputados foi
substituída pela Câmara Fascista e de Corporações, com membros nomeados. Certas
liberdades foram abolidas, como o direito de greve, expressão e associação. A
oposição teve de emigrar ou agir na clandestinidade. Os comunistas pagaram caro
por fomentar greves e infiltrar-se nas associações operárias fascistas. O líder
do Partido Comunista Italiano (PCI), Antonio Gramsci, preso em 1926, morreu
após 11 anos de prisão. Mas a existência ininterrupta do PCI e a luta
clandestina criaram as condições para torná-lo um grande partido após a queda
do fascismo. A estrutura do partido fascista se sobrepôs à do estado. Em 1929,
o Tratado de Latrão restabeleceu a paz entre a Igreja Católica e o estado
italiano: Mussolini concedeu ao papa a soberania sobre o estado do Vaticano e
privilégios à igreja.
A
política expansionista que Mussolini levou a efeito na África, a partir da
conquista da Etiópia, criou dificuldades com as democracias ocidentais,
sobretudo França e Reino Unido. Após a invasão da Albânia, Mussolini se
aproximou da Alemanha nacional-socialista durante a guerra civil espanhola. Ao
iniciar-se a segunda guerra mundial, Mussolini declarou guerra aos aliados e
empreendeu a conquista da Grécia.
A guerra
representou uma sucessão de derrotas para o exército italiano, e o descontentamento
interno cresceu. Em 1943, o Grande Conselho Fascista destituiu Mussolini, e
Vítor Emanuel III nomeou chefe do governo o marechal Pietro Badoglio, que
firmou com os aliados o armistício, em 3 de setembro do mesmo ano. Em abril de
1945, o líder fascista caiu em mãos dos partigiani (membros da resistência
italiana), que o executaram, e no mesmo mês, as tropas alemãs capitularam ante
os aliados.
Os
resultados da guerra foram desastrosos para a Itália. Em 1946, Vítor Emanuel
III abdicou em favor do filho, Humberto II, mas um plebiscito substituiu a
monarquia pela república. O democrata-cristão Alcide De Gasperi, considerado o
político italiano mais capaz desde Cavour, formou um governo de coalizão. As
eleições para a Assembléia Constituinte deram vitória aos democrata-cristãos.
Em janeiro de 1948 entrou em vigor a constituição republicana, e Luigi Einaudi
foi eleito presidente da república. No ano seguinte a Itália participou da
fundação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e tornou-se membro
do Conselho da Europa.
Após De
Gasperi, sucederam-se gabinetes de curta duração: Giuseppe Pella, Amintore
Fanfani, Mario Scelba e Antonio Segni. Em 1963, o democrata-cristão Aldo Moro
formou um governo de centro-esquerda e manteve-se no poder até 1968. Seguiram-se
vários governos de coalizão: Mariano Rumor, Emilio Colombo (que fez aprovar a
lei do divórcio, apesar da oposição do Vaticano), Giulio Andreotti, novamente
Rumor, Aldo Moro, Andreotti. Em 1978, Moro foi seqüestrado e morto pelas
Brigadas Vermelhas, grupo terrorista de esquerda. No mesmo ano chegou à
presidência o socialista Sandro Pertini, veterano da resistência contra o
fascismo, que negociou com o Vaticano nova concordata, quando a Igreja Católica
deixou de ser oficial.
Em 1979, Francesco Cossiga sucedeu a Andreotti como primeiro-ministro, mas renunciou em 1980. Seguiram-se Arnaldo Forlani, Giovanni Spadolini, Amintore Fanfani e Bettino Craxi, o primeiro socialista a governar o país. Nas eleições presidenciais, Francesco Cossiga sucedeu a Pertini. O governo Craxi sobreviveu às graves crises políticas que marcaram a década de 1980, principalmente a do navio Achille Lauro, quando o primeiro-ministro se recusou a entregar aos Estados Unidos os terroristas árabes responsáveis pelo seqüestro do barco e o negociador Abul Abas, enviado pelo líder da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat.
No começo da década de 1990, a Itália enfrentou três grandes desafios: os problemas econômicos, a luta contra a Máfia e o combate à corrupção. A dívida interna obrigou o governo a cortar os gastos públicos e iniciar privatizações. Na guerra contra a Máfia, em resposta ao assassínio de juízes e a atentados a bomba, a polícia prendeu vários líderes do crime organizado. No combate à corrupção, a "operação Mãos Limpas", iniciada em 1992, condenou dezenas de empresários, funcionários públicos e políticos.
Dois anos
depois, o direitista Silvio Berlusconi, dono do segundo conglomerado de
comunicações do país, fez uma aparição súbita e meteórica pela cena política
italiana. Eleito primeiro-ministro, Berlusconi assumiu o cargo em maio, quando
quando se divulgavam graves denúncias de extorsão, chantagem, roubos e
falsificações contra a classe política que há décadas dominava o poder. Também
atingido por um escândalo, que envolvia o grupo empresarial por ele controlado,
Berlusconi passou a ser investigado pela "operação Mãos Limpas" e
acabou renunciando ao cargo de primeiro-ministro em dezembro de 1994.